Mario e Luigi não são cavaleiros. Não são magos, nem guerreiros lendários, nem escolhidos por profecia. São dois encanadores. Gente que desentope cano, que conserta vazamento, que faz o trabalho que ninguém repara até dar problema. No entanto, são eles que salvam o Reino dos Cogumelos.
Não porque descobriram um poder secreto dentro de si. Não porque sempre foram, no fundo, “especiais”. Eles são chamados para fora da rotina comum e colocados diante de uma missão que os ultrapassa em muito — e a enfrentam com o que têm: coragem emprestada, ajuda que vem de fora (aquele cogumelo, de novo) e a disposição de simplesmente ir.
Essa é uma imagem que a Bíblia usa com frequência, e que talvez a igreja tenha esquecido de tão familiar que se tornou.
Pescadores, pastores e um coletor de impostos
Quando Jesus chama os primeiros discípulos, ele não vai procurar nos círculos religiosos mais respeitados de Israel. Vai à beira do mar e chama pescadores (Mt 4:18-19). Chama um cobrador de impostos, profissão desprezada por qualquer judeu piedoso (Mt 9:9). Mais tarde, o apóstolo Paulo vai lembrar a igreja de Corinto que Deus, de propósito, “escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios […] e as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Co 1:27).
Não é que Deus não pudesse ter escolhido gente impressionante. É que ele decide não escolher, para que fique claro de onde vem o poder. “Para que ninguém se glorie diante dele” (1 Co 1:29).
Mario e Luigi cumprem uma missão de reino não porque são fortes o bastante, mas porque, no meio do caminho, recebem o que não tinham. O texto bíblico diz algo parecido sobre nós: não somos capazes por nós mesmos, “mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Co 3:5).
Você não precisa ser extraordinário para servir a um Rei extraordinário
Há um alívio enorme nisso, para quem vive pregando, ensinando, servindo em silêncio numa célula, discipulando um jovem, sendo fiel numa função que ninguém vai aplaudir. Você não precisa de currículo espiritual invejável. Precisa estar disponível.
A igreja não é formada por heróis natos. É formada por gente comum, chamada por um Deus que se agrada em usar o que o mundo descartaria.